domingo, 23 de dezembro de 2012

A vendedora de jujubas


 

O tempo estava nublado e chovia fino.  Fui ao supermercado determinada a fazer uma compra bem rápida.  Estava precisando apenas de algumas frutas para a minha neném de nove meses.  Logo ao estacionar o carro fui abordada por uma mulher que, na chuva, me estendeu um pequeno saco de jujubas e perguntou: “A senhora quer comprar?  Custa apenas um real.”  Eu, com a minha pressa costumeira, rapidamente respondi que não e virei as costas. 

Não cheguei a dar o segundo passo e ouvi a mulher suplicar: “Moça, compra por favor.  Nós estamos sem ter o que comer em casa e a minha filha está precisando de fraldas.”

Virei e observei-a num lance. 

Ela contava com aproximadamente trinta anos.  Roupas surradas e pele maltratada.  Possuía uma magreza quase doentia.  Os olhos, súplices, revelavam a sua dura realidade.

E ela continuava a estender o saco de jujubas.

Olhei a carteira e vi que possuía apenas cartões.  Rapidamente abri o carro e enfiei a mão em um saco de moedas que há muito lá estava.  Enchi uma das mãos.  Entreguei as moedas para a mulher, que as recebeu com olhos brilhantes.  Falei que não queria as jujubas e ela me respondeu com um “Deus a abençoe.” 

Entrei no supermercado sem poder esquecer as palavras e a fisionomia daquela pobre criatura.  Eu, que estava ali para comprar alimentos para a minha filha, fiquei com a alma dilacerada ao constatar que a mulher, que visivelmente precisava de cuidados, estava vendendo jujubas na chuva para comprar fraldas e alimentos para a sua filha.

Ao sair do supermercado vi a mulher sendo destratada por dois seguranças, que a expulsavam do local.  Aquilo me machucou mais ainda.  Fiquei com vontade de bradar que ela era apenas uma mãe, que estava lutando pelo sustento da filha.  Mas de nada adiantaria. 

Parei o meu carro ao lado dos três e perguntei se ela estava precisando de ajuda.  A mulher, com voz lacrimosa, disse que não e que já estava indo embora.  Os seguranças ficaram inertes. 

Peguei todo o saco de moedas e o entreguei para a mulher, que agradeceu, num misto de tristeza e entusiasmo.

Fui embora e, pelo retrovisor, ainda pude observar aquela mulher, vendedora de jujubas, caminhando na chuva, de cabeça baixa.